Instrutor de Informática, um resumo da minha experiência

Quando um série de eventos começam a completar uma década de existência percebe-se que o tempo está passando. E como a memória é seletiva, e passível de falhas, aproveito para deixar registrado o começo e um pouco desses mais de 6 anos que atuei como instrutor de informática.

A vida é feita de escolhas. Uma simples frase diz muito e desmerecemos sua importância no decorrer dos dias, pouco conscientes das nossas decisões. No fim de Julho de 2006, ainda no ensino médio e cursando os últimos módulos do curso de web design, recebi o convite da minha instrutora Bruna Mahama, para fazer parte do corpo docente da SOS Computadores. Entre a saída do coordenador e uma crise financeira da escola, minha contratação foi facilitada.

No inicio trabalhava somente às sextas-feiras. Com o jaleco bordado e cheio de vontade auxiliava os alunos nos exercícios aplicados por outros instrutores. Sempre idealizando quando e como iniciaria minha própria turma. Dividindo o tempo entre os estágios, treino oferecido as sextas-feiras, iniciei de fato como instrutor de informática ao começar com aulas individuais e notar que ministrar as próprias aulas eram infinitamente mais simples que distribuir a atenção entre as dúvidas dos mais diversos cursos durantes os treinos as sextas-feiras.

O ano era 2007 e a informática mostrou que tinha chegado para ficar. Para os alunos as opções não eram muitas, aprender ou aprender. Durante todo o tempo que atuei como instrutor de informática, a procura pelos cursos iniciais nunca tinha sido tão expressiva.

Cada novo aluno sempre provocava novas expectativas. Os VIPs, como eram chamadas as aulas individuais, me permitiram aprender muito. Aos 17 anos, dar aulas para pessoas experientes com no mínimo o dobro da minha idade era um tanto estranho. Até ficar surpreso e surpreender um aluno de Excel que questionou a vendedora se eu era de fato professor ao me ver pela primeira vez, e ao fim da primeira aula ter este pré conceito mudado.

Minhas turmas: instrutor de informática à vera

As primeiras turmas começaram pelos cursos básicos de informática, os cursos de Windows e Office, ensinando desde como ligar um computador, digitar o primeiro texto no Word, a temer as formulas das planilhas do Excel, e sem desmerecer os bancos de dados no Access que apesar de ter sido fundamental para meu conhecimento sobre desenvolvimento web,  para a grande maioria dos alunos sempre foi completamente irrelevante e desconexo com a realidade.

O desejo de muitos instrutores de informática, um prédio moderno e projetado para ser uma escola de informática.

SOS Computadores Mooca, o prédio modelo.

Aprendizado é mais que conhecimento, um aprendizado muito neglicenciado chama-se sabedoria. As conhecidas turmas da melhor idade, essas tinham mais a ensinar do que aprender, sem sombra de dúvida eram os mais interessados no aprendizado. Não tinham pretensão, não estavam obrigados, simplesmente queriam aprender.

Após 1 ano de trabalho entre alunos particulares e as turmas de informática básica, iniciei a primeira turma do curso de Design Gráfico, ensinando Photoshop, Corel Draw, InDesign, seguindo o curso que se vendia como uma solução absoluta, essa turma continuaria no curso de Web Design,  estudando Fireworks, Flash e Dreamweaver. Os cursos de design se tornaram muito mais interessantes, tornou-se objeto de estudos e o foco das carreira como instrutor e carreira profissional.

Carreira de instrutor, o fim?

E tornando este texto cíclico, como a vida é feita de decisões comecei a pensar sobre o futuro da profissão de instrutor. Para catalisar essa decisão a escola contratou um coordenador pedagógico, moldado nos métodos e falhas do próprio material didático. E como softwares em sistema incompatíveis sua presença durou pouco. Sua passagem mostrou que o modelo da matriz não tinha relação com o aprender, mas em seguir um fluxo, apenas.

Enquanto estava meramente iniciando como instrutor de informática, Steve Jobs trabalhava no lançamento do iPhone. O mundo digital mudou  e muda constantemente. Enquanto os instrutores discutiam Windows x Linux nos corredores da escola, hoje o grande público não fala em nenhum dos dois, o negócio é qual o próximo Android ou iPhone, ou melhor o que cada um faz com o seu. Naturalmente a profissão de instrutor de informática não foi e nem será diferente. Se você pensa em ser instrutor de informática ou qualquer área do saber, lembre-se que não são pelas horas trabalhadas ou pelos salário que pode receber, mas pelo prazer de disseminar conhecimento. Se este não for um prazer, sinto em antecipar más notícias, mas da carreira de instrutor não se pode extrair muito mais que o prazer de descobrir o novo, a presença na sala de aula e o contato com os alunos.

Porém, quando o propósito desalinha do discurso pregado, as curvas nos levam a outros caminhos. Após 6 anos lecionando para diversas turmas, diversos cursos, além dos copiosos problemas resolvidos diariamente, múltiplas dúvidas, inúmeros alunos e abundantes experiências minhas atividades tomaram um novo rumo. Multiplicar conhecimento continua um propósito, mas em 2012 foi a hora de mudar a casa do saber. Encerro este texto com frase de um dos maiores educadores brasileiros, Paulo Freire, dizia:

Não há saber mais ou saber menos: Há saberes diferentes.

Paulo Freire

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